O Dr. Ajay Kela é presidente e diretor executivo da Fundação Wadhwani. Com 30 anos de experiência na gestão de empresas globais de software, Ajay ingressou na Fundação Wadhwani em 2009, em tempo integral.

Ajay agora lidera as iniciativas da Fundação em todo o mundo. Ajay é ex-aluno do IIT Bombay e da Universidade de Rochester.
Ajay compartilha suas ideias sobre as iniciativas da Fundação Wadhwani, o empreendedorismo na Índia, os desafios e os aceleradores de crescimento necessários para liberar o verdadeiro potencial que a Índia possui. Aqui estão alguns trechos da conversa com a Bizztor.
Fatores-chave que desempenharão um papel importante na promoção do empreendedorismo na Índia?
Para realizar todo o potencial e impulsionar a cultura de startups na Índia, temos que abordar questões-chave relacionadas à educação, desenvolvimento de talentos, inovação, políticas, infraestrutura financeira, incubadoras e aceleradoras, mentores e investidores.
A solução reside na criação de múltiplos ecossistemas empreendedores ao estilo do Vale do Silício na Índia, que apoiem todo o ciclo de vida dos empreendedores, os quais, por sua vez, podem produzir soluções inovadoras a nível local e nacional.
Esses ecossistemas devem incluir faculdades que enfatizem a educação empreendedora, que idealmente deve ser uma combinação de aprendizagem online e experiencial, uma rede local de mentores, investidores e incubadoras que um empreendedor possa acessar sob demanda e uma série de medidas favoráveis ao crescimento e às startups, como registro e liberação online 24 horas por dia, relatórios online simplificados para autoridades locais, estaduais e centrais, proteção de propriedade intelectual, flexibilidade na contratação e demissão, isenção das leis trabalhistas independentemente da escala, falência, etc.
As empresas também devem apoiar os centros de incubação por meio de mentores e parcerias tecnológicas/de recursos. Cultivar e construir esses ecossistemas por meio de redes comunitárias, empresas locais e parcerias governamentais contribuirá muito para fomentar o empreendedorismo na Índia.
O que um empreendedor iniciante deve ter em mente para criar um modelo sustentável a longo prazo?
A sustentabilidade das startups começa a tomar forma desde a fase da ideia. Para ser sustentável, um empreendedor deve estar sempre pronto para ajustar ou mesmo reinventar o modelo de negócio em intervalos regulares. É sabido que 90% das startups fracassam. Aqui estão as minhas principais sugestões para os empreendedores crescerem, prosperarem e contrariarem esta tendência:
1. Pesquisa e análise: Pesquisa de mercado – a análise do mercado e dos concorrentes, a opinião de influenciadores e a avaliação de clientes potenciais ajudarão as startups a encontrar seu nicho e também revelarão se há um interesse de longo prazo pela sua ideia de negócio. Uma pesquisa cuidadosa com startups que fracassaram determinou que 42% delas identificaram a “falta de necessidade do mercado para seu produto” como a principal razão para seu fracasso, destacando assim a importância de um pré-lançamento adequado e de um trabalho prévio baseado na ideia.
2. Uma rede de apoio forte: O empreendedorismo pode ser muito solitário, pois normalmente exige companhia para aconselhamento constante. Desenvolver uma rede de apoio é vital, especialmente em tempos difíceis. Empreendedores experientes, mentores, colegas de startups e também profissionais de apoio, como advogados e contadores, são um grupo de consultores ideal que pode ajudar sua empresa em momentos difíceis.
3. Procure por crescimento precoce: esse é um dos grandes sinais de sucesso futuro, responsável por alguns dos maiores inibidores de startups – concorrência acirrada, diminuição do interesse dos clientes e rotatividade de funcionários.
4. Construa uma equipe central que esteja disposta a enfrentar as dificuldades: é muito importante reunir uma equipe que compartilhe a visão, persevere em momentos difíceis, esteja disposta a trabalhar duro, tenha uma abordagem flexível em relação a modificações de produtos, remuneração, estratégia de marketing e branding e até mesmo à reinvenção do modelo de negócios.
5. Seja claro quanto ao seu modelo de receita: decida antecipadamente de onde e quando virá o dinheiro, defina metas e métricas e trabalhe de acordo com um plano. Uma das principais razões pelas quais as startups fracassam é porque “ficam sem dinheiro”. É por isso que as startups devem ter clareza sobre a matriz de financiamento. Elas precisam do dinheiro de investidores nos estágios iniciais? Ou vão se virar com recursos internos? Os investidores agora procuram negócios com economia unitária sustentável, e ter margem bruta positiva no primeiro ano é um forte sinal para a comunidade de investidores.
6. O atendimento ao cliente é a chave mágica para a sustentabilidade: nesta era de forte presença das redes sociais e do boca a boca, os clientes satisfeitos são os seus maiores embaixadores. Os clientes esperam ficar encantados em todas as fases do ciclo de vida do produto ou serviço; compreender as características, alternativas de preços, devoluções, resolução de problemas e, mais importante ainda, a entrega final. Por isso, os processos e o foco centrados no cliente são obrigatórios para qualquer modelo de negócio viável.
7. Inovar no marketing para se destacar: o marketing é onipresente, mas também caro e nem sempre orientado para resultados em termos de apoio às vendas. As startups devem adotar uma abordagem dupla: a) compensar os custos de marketing, especialmente nos meios de comunicação de massa, através da criação de parcerias com os meios de comunicação; b) utilizar agressivamente as redes sociais e o marketing digital como a arma mais rentável, emergente e potente para criar valor e notoriedade da marca e gerar uma base de clientes-alvo.
Como os jovens empreendedores podem obter ajuda da NEN?
A iniciativa emblemática da Fundação Wadhwani, a Rede Nacional de Empreendedorismo (NEN), treinou mais de 3.000 professores em 500 institutos, que agora oferecem regularmente cursos de empreendedorismo a mais de 100.000 alunos por ano. Juntamente com a educação em sala de aula, o apoio prático prestado por 400 clubes estudantis a aspirantes a empreendedores resultou em mais de 2.000 startups até o momento. A NEN está agora se expandindo para 3.000 institutos, e os aspirantes a empreendedores devem procurar fazer parte dessas faculdades e clubes de empreendedorismo.
Para empreendedores e PME existentes, a NEN oferece:
Mentores: por meio de clínicas de mentoria online com vídeo e uma plataforma global de mentoria baseada em nuvem com mais de 200 mentores da Índia, Paquistão, Indonésia e Malásia, workshops conectando mentores (profissionais, investidores e empreendedores) a empreendedores aspirantes em estágio inicial de crescimento.
Investidores: O ‘Programa de Financiamento’ da NEN ajuda os empreendedores a aprender os fundamentos dos investimentos, conecta-os com investidores e banqueiros e prepara-os para levantar fundos por meio de ‘Pitch labs’ e ‘Loan Connect’ através de programas governamentais e entidades NBFC da nova era.
Ferramentas para o crescimento: Módulos de aprendizagem para startups e PMEs que abordam temas atuais, tais como:
• Planos e modelos de negócios
• Contratação e formação de equipes
• Marketing de mídia digital
• Design Thinking
• Branding e geração de leads
• Fundamentos de Contabilidade
A Fundação Wadhwani e a NEN recentemente firmaram uma parceria com o governo da Índia para ampliar essa iniciativa a milhares de faculdades em todo o país. Simultaneamente, a Fundação está construindo ecossistemas empreendedores urbanos compostos por faculdades empreendedoras, mentores locais, investidores e incubadoras que, juntos, podem fortalecer a atividade empreendedora e a taxa de sucesso das startups dentro desses ecossistemas urbanos.
Introdução à Fundação Wadhwani e como ela está ajudando o ecossistema empreendedor indiano?
A Fundação Wadhwani foi fundada em 2000 pelo Dr. Romesh Wadhwani com a missão principal de acelerar o desenvolvimento econômico em economias emergentes por meio da criação de empregos em grande escala. A Fundação está presente na Ásia (Índia, Indonésia, Malásia e Filipinas), África (Quênia, Uganda, Tanzânia, Etiópia) e em breve na América do Sul. A Fundação opera em parceria com governos, empresas e instituições educacionais, impulsionando a criação de empregos por meio de suas cinco iniciativas em inovação, empreendedorismo e desenvolvimento de habilidades:
A Rede Nacional de Empreendedorismo (NEN) inspira, educa e apoia estudantes empreendedores, startups e PMEs na criação de empregos de alto valor. Nos últimos dez anos, a NEN treinou mais de 3.000 professores em 500 institutos, que agora oferecem regularmente cursos de empreendedorismo para mais de 100.000 estudantes por ano. A NEN assinou recentemente um acordo com o Ministério de Desenvolvimento de Competências e Empreendedorismo da Índia para expandir a NEN para 3.000 instituições na Índia. A NEN também se aventurou na criação de ecossistemas empreendedores baseados em cidades, que consistiriam em mentores, investidores e incubadoras que apoiam startups e PMEs.
A Skills Development Network (SDN) tem como objetivo equipar os graduados do ensino médio que não ingressam na faculdade com habilidades profissionais suficientes para obter salários que sustentem suas famílias. Atualmente, a SDN atua em 3.000 escolas de ensino médio e com mais de 200.000 alunos, e está se preparando para expandir para 15.000 a 20.000 escolas nos próximos três a cinco anos, em parceria com o governo central. A SDN também está trabalhando para transformar instituições de ensino superior (como as que existem na Índia) em centros modernos de treinamento em manufatura e institutos de múltiplas habilidades e, finalmente, com empregadores para se envolverem no fornecimento de professores adjuntos, estágios e aprendizagens.
A Opportunity Network for Disabled (OND) integra pessoas com deficiência com formação académica em empregos corporativos sustentáveis e de alta qualidade através de uma proposta de valor empresarial. 8.000 pessoas foram colocadas através desta iniciativa e a OND, em parceria com o governo e a indústria, está a desenvolver capacidade para colocar 100.000 pessoas nos próximos cinco anos, com o objetivo final de integrar as pessoas com deficiência nas economias emergentes.
A Rede de Pesquisa e Inovação (RIN) tem como objetivo criar um ecossistema de inovação de classe mundial na Índia, com o objetivo de impulsionar o país para o ranking das dez nações mais inovadoras do mundo. O Centro de Pesquisa Wadhwani para Biotecnologia (WRCB) no IIT Bombay e o Centro Shanta Wadhwani para Pesquisa Cardíaca e Neural (SWCCNR) no NCBS, Bengaluru, são os dois centros pioneiros criados pela RIN. A iniciativa Startup and Small Business Innovation (SSBI) visa criar ecossistemas nacionais em setores críticos de grande importância por meio de centenas de subsídios para desafios de inovação. A Fundação prevê a criação de parcerias com várias organizações do governo central para iniciar subsídios à inovação para 25.000 empresas ao longo de cinco anos, como parte da Iniciativa SSBI.
O Centro de Pesquisa Política (PRC) fornece informações baseadas em dados para ações políticas informadas com o objetivo de acelerar o crescimento econômico por meio do empreendedorismo, da inovação e do desenvolvimento de habilidades. O PRC avaliou o desempenho de dois dos maiores e mais abrangentes programas da Índia, iniciados pelo Departamento de Biotecnologia e administrados pelo Conselho de Assistência à Pesquisa da Indústria de Biotecnologia (BIRAC) – SBIRI e BIPP. A avaliação resultou em recomendações baseadas em evidências para que os formuladores de políticas melhorem o impacto e a escala dos programas de inovação em indústrias de pequeno e médio porte.


